segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Mantra do Sobrevivencialista Lúcido: Regras de Senso Comum em Prontidão


Tradução de The Sane Prepper Mantra: Common sense rules for prepping, © The Prepared | traduzido sob expressa autorização.

Uma vez que preparar-se faz sentido, como preparar-se também deve fazer sentido! Infelizmente, muitas das pessoas que tentam preparar-se acabam por se confundir ou seguem maus conselhos que encontram em blogues da treta e nas redes sociais. Após anos de experiência a preparar-nos pessoalmente e a ensinar terceiros, criamos as Regras do Sobrevivencialista Lúcido de modo a manter as coisas racionais e relevantes. Aplicamo-las quando escrevemos artigos pensados para si, e devia utilizá-las nas suas decisões pessoais.

Parte da razão pela qual começamos o The Prepared foi por, nas nossas próprias preparações, termos percebido que muitos dos conselhos que encontramos na Internet são ou perigosamente incorrectos ou complicam e confundem mais do que o necessário.

Esses maus conselhos levaram a um desperdício incontável de horas e dinheiro, causando muita ansiedade e frustração. Ou pior – acabamos por ficar menos preparados por as coisas se terem tornado demasiado complicadas.

A prontidão deve ser:

  • Responsável. É inteligente e normal estar preparado para emergências.
  • Uma mais-valia. O principal é beneficiar da sua prontidão caso alguma vez precisar de a aplicar.
  • Fácil. Não gaste centenas de horas a vasculhar conteúdos incorrectos e confusos.
  • Acessível. Quase todos os orçamentos conseguem cobrir as despesas básicas do sobrevivencialismo.
  • Confortável. Tenha a paz de espírito de estar preparado, bem como a sua família.
  • Divertido. É desafiante e divertido desvendar como se pode tornar uma pessoa mais autossuficiente. É uma espécie de escutismo para adultos.

Regras do Sobrevivencialista Lúcido:

  • Não consegue prever o que vai acontecer. Existem demasiadas variáveis. Não fique com uma visão de túnel nem se deixe levar pelo quer que seja que está a fazer com que as pessoas se passem nas redes sociais.
  • Os dados e a racionalização devem prevalecer sempre sobre qualquer opinião e ideias pouco práticas.
  • Siga a regra 80/20 para se concentrar nas coisas certas e obter as mais-valias possíveis.
  • É impossível estar 100% preparado para 100% dos cenários.
  • Uma boa preparação é um misto de equipamento, mantimentos, habilidades, prática, planificação, comunidade e de si mesmo.
  • Para que o equipamento e as habilidades sejam úteis têm que ser simples, práticas e tão fiáveis quanto possível. Tal significa que boas preparações devam estar sempre prontas e que açambarcar é mau.
  • Não tente memorizar listas nem instruções. Concentre-se em aprender conceitos de alta alavancagem e comprar equipamentos versáteis de modo a poder raciocinar como adaptar-se rapidamente. 
  • É possível preparar-se com qualquer orçamento, mas obtemos aquilo pelo qual pagamos. No que diz respeito a salvar a própria vida, é melhor “comprar uma vez, arrepender-se uma vez.”
  • Tenha orgulho em estar a agir para ser responsável e autossuficiente. Partilhe a responsabilidade de preparar-se com familiares, amigos e vizinhos.
  • Preparar-se não deve dominar-lhe a vida nem a tornar pior. Despenda quantidades racionais de tempo, dinheiro e energia.

Exemplo comum de como as Regras do Sobrevivencialista Lúcido orientam quase todas as decisões mais básicas

Quando pensar na lista definitiva de coisas que deve incluir na sua mochila de fuga, o erro mais comum e perigoso é as pessoas colocarem demasiado peso numa mochila que é demasiado grande e óbvia.

Vimos pessoas que carregaram 20, 30, 40 ou até 50 quilos de equipamento em mochilas de fuga com mais de 60 litros (a título de referência, a maior bagagem de mão permitida num avião é de 45-50 litros) com todo o tipo de artefactos militares “táctico-fixes” e camuflagens. 

A sua preparação deve ser prática e utilizável, caso contrário é quase pior do que não ter nada. Já andou mesmo oito quilómetros com uma mochila imensa carregada com 30 quilos e pouca água? Pergunte a um soldado qualquer… é uma merda.

Uma vez que sabemos que o equipamento tem que ser fiável de modo a ser útil, e que durante uma crise o nosso cérebro humano não funciona lá muito bem e temos que simplificar tudo, é importante que a mochila de fuga esteja sempre pronta de modo a pegar nela em qualquer altura. Não pode andar às voltas a tentar recolher o seu equipamento nem se lembrar onde o deixou quanto todos os segundos contam.

Não consegue prever o que vai acontecer, nem quando ou onde estará, quem estará consigo, se é Verão ou Inverno, de dia ou de noite, se estará ferido, se as estradas estarão transitáveis, e por aí fora.

Algumas pessoas irão defender a sua mochila pesada de fuga dizendo que “bom, o meu plano é só meter a mochila no carro e ir para o meu refúgio, duh!”

Podem emprestar-nos a vossa bola de cristal, por favor?

Então insistirão: “que importa que seja muito pesado? Se acabar por ficar a pé, basta aliviar algum do peso.”

E se não tiver tempo para isso e tiver que fugir rapidamente?

Um mau planeamento significa que provavelmente comprou dois produtos diferentes para fazer duas coisas diferentes em vez de um produto que faça duas coisas. Portanto, qual dos dois deitar fora? Ou talvez tenha enchido a mochila com latas pesadas de sopa em vez de com comida adequada porque não gostava do sabor.

A sua mochila de fuga deve ser durável e passar despercebida. Poupar 60€ comprando uma mochila da treta não vale a pena o risco da sua única mochila se desfazer quando utilizada. Também não queremos andar por aí com uma mochila camuflada que berre “ei, tenho mantimentos!” ou uma que seja cor-de-laranja e difícil de ocultar. 

Não conseguimos prever o que vai acontecer

Demasiados sobrevivencialistas criam planos demasiado restritos ou investem demasiado em equipamento específico ignorando buracos flagrantes nos seus planos. Que interessa estar super preparado para uma descarga solar se não conseguir lidar com um simples furacão?

O melhor a fazer a este respeito é pensar bem onde vivemos e no que é mais provável acontecer na nossa zona.

Vivemos em São Francisco? Então temos que ponderar cenários com terramotos e talvez personalizar a nossa preparação depois de termos coberto o essencial 80/20. Vive no interior profundo? É menos provável que lá chegue apoio de emergência do governo, mas é mais capaz de conseguir encontrar água potável. 

Não é possível prever o que vai acontecer, quando, onde estaremos ou quaisquer outras circunstâncias. Podemos estar no supermercado no meio de uma tempestade de neve ou pelados num spa com uma máscara de lama. Talvez estejamos nas férias de Verão com a família ou numa viagem de ski no Inverno. De dia, de noite, sozinhos, com desconhecidos, num autocarro, bêbedos, com o carro na oficina, ou em casa com uma perna partida. Quem sabe?

Outro erro comum é a extensão de tempo. É por isso que achamos que as mochilas mais comercializadas de “72 horas” têm falhas. Ou porque discordamos de preparações que separam as mochilas de fuga por períodos de tempo, onde uma tem comida, mas nenhuma possibilidade de cozinhar ou caçar enquanto que outra só tem ferramentas para caçar e cozinhar, mas não tem qualquer comida pronta a comer.

O perigo é que se estiver a prever que só irá precisar de uma mochila para o apoiar durante 72 horas, então tomará decisões diferentes acerca do que incluir (como comida) e estará menos preparado para situações de maior morosidade. 

É útil pensar no período de tempo, mas não se constranja por isso. Em publicações futuras, verá dados que esclarecem quais as médias dos dias necessários para as pessoas sobreviverem em vários cenários como tempestades beras e insurreições civis.

As preparações sevem ser o mais práticas, aplicáveis e simples possível

Os nossos cérebros de homens das cavernas funcionam de modo diferente durante uma crise. Algumas coisas melhoram, como os nossos sentidos e capacidade de corrida. Mas outras coisas pioram, como a nossa memória ou conseguir tomar decisões racionais precisamente na altura em que mais precisamos dessas habilidades.

Por estas e outras razões (como não sabermos o que irá acontecer), é importante que as nossas preparações sejam práticas e aplicáveis. Por outras palavras, quanto menos tivermos que recordar ou decidir na altura, melhor as coisas irão correr. 

Se o vosso filho de 10 anos tiver que utilizar uma parte do seu equipamento que nunca tenha visto antes, seria capaz de o fazer? E se precisassem de ligar o gerador? E se tiver o braço ferido – consegue aplicar aquele torniquete de campanha só com uma mão?


Via North American Rescue, um dos nossos fornecedores favoritos para bens médicos

Esta praticabilidade e utilidade afecta as considerações aplicadas às nossas resenhas de equipamento e nos guias do The Prepared. Não só em termos de optar por um equipamento em vez de outro, mas por vezes evitamos por completo determinado equipamento ou habilidade por serem pouco práticos para a maior parte das pessoas que não tenham obtido treino específico.

As agulhas de descompressão e os tubos esofágicos são um bom exemplo. Fazem parte dos IFAKs (kits individuais de primeiros socorros) militares, e os soldados recebem algum treino sobre como os utilizar. Mas para a maior parte das pessoas estas ferramentas não são práticas e podem causar danos se forem mal utilizadas, por isso normalmente não as recomendamos.

Boas preparações estão sempre prontas

O nosso cérebro tem um limite para o que consegue memorizar. É a razão pela qual Steve Jobs só abordava três pontos centrais no decorrer das suas famosas locuções. Acrescente-se à mistura um disparo de adrenalina, uma emergência a alta velocidade e temos uma receita sobre como não pensar de modo claro.

Por essa razão, e uma vez que não conseguimos prever o que irá acontecer, é importante que as nossas preparações estejam sempre prontas. É mais fácil dizê-lo do que fazê-lo. A vida atrapalha – talvez tenha começado a substituir as pilhas no seu kit de emergência e depois se esqueça de terminar de o fazer e as coisas estejam agora espalhadas por aí.

A maior parte das pessoas trabalha dentro de um orçamento e quase ninguém gosta de desperdiçar dinheiro. Por isso uma situação comum na preparação é algo como “quero ter uma mochila de fuga, mas já tenho uma mochila de viagem, por isso vou utilizar essa mochila caso alguma coisa corra mal e tenha que sair daqui.”

Na maior parte dos casos este género de raciocínio vai-lhe trazer mais mal do que bem. Num cenário de fuga, mesmo que a mochila de viagem seja adequada para fugir, parte do valor de uma mochila de fuga é estar pronta a pegar e andar, sem nos preocuparmos onde deixamos algum item ou onde está arrumada a mochila.

Supor que terá a presença de espírito e o tempo suficiente para organizar a mochila de fuga só na altura em que precisar dela é um raciocínio perigoso.

Sendo prático, claro que por vezes há alturas em que é OK (ou mesmo bom) haver duplicidade. Se quisermos ir fazer um dia de caminhada e levarmos a nossa garrafa de água com filtro imbuído, não faz mal. Pegamos nele à saída e mal cheguemos a casa voltamos a colocá-lo na MDF. Até tem o bónus acrescido de testarmos o equipamento para sabermos que funciona, como funciona, se está prestes a expirar, lembrarmo-nos onde está, etc. O crucial é sermos espertos e disciplinados.

Centre-se em encaixes de alta alavancagem

Alta alavancagem significa que um pouco de esforço é bem recompensado. Significa também coisas que sejam fáceis de utilizar e recordar, ou um produto simples que faça muitas coisas.

Existem toneladas de páginas clickbait para sobrevivencialistas com títulos como “18 maneiras de utilizar braçadeiras quando a MBNV” ou “eis como construir um gerador a vento com peças de bicicletas velhas”.

O mal é tentar lembrar-se das 18 coisas que consegue fazer com uma braçadeira. Se a MBNV daqui a cinco anos, não vai estar sentado num tronco a pensar “qual era a 14ª maneira de utilizar uma braçadeira?”

O mais correcto a fazer é ou ignorar o texto por completo ou, se o ler, tentar retirar dali uma coisa que consiga absorver nos recônditos do seu cérebro.

Talvez a verdadeira importância seja aprender que as braçadeiras são mesmo fortes e versáteis, como tal podem ser algo a incluir no nosso equipamento e pensar nisso quando tivermos que resolver problemas que vão de algemar alguém até pendurar um veado para esfolar.

Fazemos a nossa parte no The Prepared ao dedicar tempo extra a criar conteúdos que o ensinem esse poder de encaixe. É mais rápido e mais fácil (e barato) do que cuspir listas de coisas que na realidade não ensinam.

Aplique a regra 80/20 em seu favor

A regra “Pareto” de 80/20 é famosa por muitas e boas razões. Esta regra surge em aspectos da natureza, da sociedade humana e da economia com uma frequência e precisão assustadoras. Por exemplo, 20% das pessoas determinam 80% das políticas, ou 20% dos leitores publicam 80% dos comentários.

A regra 80/20 é uma boa base para a prontidão. Com um pouco de esforço conseguimos obter o maior valor possível. Só ao ter uma reserva com duas semanas de mantimentos em casa e uma mochila de fuga, já significa que está mais bem preparado que 80% da população.

Passar de 80% para 90% preparado acarreta muito mais esforço. Estará a investir em energia solar e em filtração de água em casa, anos de mantimentos, aulas de medicina de emergência de campo e por aí fora. Tudo isto vale muito a pena (e é divertido!), mas consome quantidades desproporcionais de tempo e dinheiro.

É impossível cobrir todas as hipóteses. Será sempre capaz de imaginar um cenário para o qual não esteja completamente preparado, mas irá perder o juízo (e a carteira) a tentar estar 100% pronto. 

Não se deixe apanhar pela micro-optimização. À medida que googlar pelo mundo sobrevivencialista, irá ler 1.000 opiniões diferentes e ficar mais confuso do que quando começou. A base 80/20 ajuda-o a encontrar a opção “boa o suficiente”, principalmente se a quiser encontrar rapidamente.

Por exemplo, há uma infinidade de discussão acerca do melhor calibre de munição para uma pistola de prontidão. A resposta 80/20 “boa o suficiente” é que o .22 LR é demasiado fraco e o .45 de manejo difícil não valendo a pena sacrificar a capacidade. O que nos deixa com os calibres 9mm e .40.

Para ir além do 80/20 e escolher entre a 9 e a 40, começamos a escavar décadas de dados de campo do FBI, testes com gel de balística, etc. (o que estamos a fazer para um futuro post e acreditamos que a resposta é 9mm.)

À medida que se aprofundar no terreno sobrevivencialista, tenha em mente que lá por as pessoas estarem a debater algo tal não significa que seja um debate válido. Quando vemos as pessoas a discutir algo, seja sobre sobrevivencialismo ou alterações climáticas, os nossos cérebros pressupõem que se trata de um debate relevante e razoável (“oh, provavelmente ainda é uma questão importante e ainda pendente!”) Mas normalmente não é. Ou o debate só interessa a 1% das pessoas que estão bem para lá dos 80/20 e precisam de algo acerca do qual ser picuinhas. 

Boas preparações são uma mistura de equipamento, mantimentos, habilidades, planificações, comunidade e nós mesmos

Existem estereótipos cliché como “os sobrevivencialistas de esquerda não têm equipamento, mas sabem imenso acerca de conservação de comida” ou “os sobrevivencialistas conservadores têm montes de armas, mas não sabem nada de cuidados médicos.”

Sendo sincero, há alguma verdade por trás desses estereótipos. Os sobrevivencialistas dividem-se normalmente em dois campos. Os que dependem de equipamentos, mas têm poucas habilidades e os que têm habilidades, mas não gostam de equipamentos.

A resposta certa encontra-se algures no meio. Depender demasiado de um só factor é uma lacuna inerente uma vez que estamos a tentar prever o futuro supondo que uma só coisa é a coisa “certa”.

Equipamento é importante. Habilidades são importantes. Boa forma física e mental são importantes. A capacidade de sobreviver sozinho e ajudar a comunidade é importante.

Se tem um arsenal enorme, mas não sabe confeccionar comida do zero, está em apuros. Se tem a melhor das hortas urbanas, mas não a consegue defender daqueles que tentarão roubar-lhe a comida, então está em apuros.

Invista na melhor qualidade que puder

Acreditamos piamente que as pessoas comuns deviam despender mais dinheiro a preparar-se. Na verdade, tentamos e falhamos no que diz respeito a encontrar dados sólidos acerca da quantidade média gasta pelas pessoas em preparações, actualmente – o que reforça a nossa experiência pessoal de que a resposta será $0.

O orçamento é um dilema compreensível para muitas pessoas. A boa notícia é que pode preparar-se com praticamente qualquer orçamento, principalmente se optar pela base 80/20 como mantimentos para duas semanas.

Uma das coisas mais duras com que nos deparamos ao fazer recomendações é o balanço entre qualidade e custo.

A prontidão é uma daquelas áreas nas quais é bem verdade que recebemos o que pagamos. No que diz respeito a coisas que possam salvar-lhe a vida e a da sua família, julgamos que é melhor “comprar uma vez, chorar uma vez” em vez de andar a contar tostões.

A diferença entre uma carabina de 500€ e uma de 1.500€ pode ser que a alta qualidade da última faça com que dure 10 anos do que a mais barata e não encrave no campo quando mais precisar dela. Uma vez que estamos a planificar para uma amplitude de cenários e podemos precisar dessa arma durante as dez temporadas de Walking Dead muito tempo, mais vale investir numa qualidade que dure.

Sempre que podemos, tentamos fazer a nossa recomendação principal e uma “opção em conta” de reserva. Mas por vezes não incluímos a opção em conta caso estas sejam uma porcaria tão descarada que mais vale não desperdiçar dinheiro.

Um bom exemplo são os rádios amadores. A escolha mais correcta para a maior parte das pessoas custa cerca de 60€, e os “em conta” que acabam por se desmontar custam 20-30€. Não vale a pena poupar 30€ para comprar uma porcaria.

Testamos pessoalmente um dos rádios de emergência mais bem cotados e “em conta” disponíveis na Amazon. Tem cinco estrelas porque as pessoas o compram, experimentam uma vez, funciona, e dão-lhe uma pontuação positiva. Mas testamo-lo depois de estar parado na nossa prateleira durante três anos e estava completamente morto e para além de qualquer reparação – felizmente descobrimos isto antes de precisarmos mesmo dele.

Por vezes também acontece o contrário. Por exemplo, alguns dos artigos de cozinha que compramos para os nossos acampamentos pessoais são as opções mais baratas de 15€ em vez das de 75€, pois queremos mesmo utilizá-los no campo, bater, testar, aprender e depois substituir.

Quanto deve gastar?

Se é recém chegado ao sobrevivencialismo, deve esperar gastar um mínimo de 700€-900€ só consigo. Uma família de quatro irá despender pelo menos 2.100€. Uma vez tendo gasto esse dinheiro, essa base essencial só custará cerca de 40€ anuais para manter.

Não tem que gastar esse dinheiro todo de uma vez. Explicamos os passos para começar a preparar-se, incluindo a ordem de prioridades. Portanto pode comprar só o mais importante por 30€, depois poupar, comprar a segunda coisa mais importante, repetir. É sempre melhor começar a preparar-se já, mesmo que só tenha 15€. É sempre melhor começar a preparar-se já, mesmo que só tenha 15€. Compre a primeira coisa, poupe, repita.

Se está a debater-se sobre se vale a pena o investimento, pare e pondere no dinheiro que gasta em coisas como o seguro do carro ou o seguro de casa. Porquê gastar 850€ anuais num seguro anti-cheias e não gastar 850€ a assegurar-se de que a sua família sobrevive a uma cheia?

À medida que levar a prontidão mais a sério, estimamos que 1-2% dos seus rendimentos sejam uma quantia razoável a gastar todos os anos como espécie de seguro para a sua casa e família. Óbvio que algumas coisas como libertar a sua casa da rede energética são imensas, são investimentos iniciais que compensam passados 30 anos.

Partilhe as suas preparações com quem lhe é mais próximo e oculte-as de desconhecidos

Há uma crença obsoleta de que devemos ser completamente anónimos e esconder as nossas preparações de toda a gente.

Aprofundamos as razões históricas por trás disto no nosso artigo acerca de porque deve partilhar a sua preparação com os seus amigos e recrutá-los para se juntarem ao seu grupo sobrevivencialista. Algumas das razões principais são o estigma social e a “segurança operacional”. Basicamente, não quer que pessoas famintas comecem a aparecer-lhe à porta ao calhas no decorrer de uma crise.

Mas incluímos alguma “segurança operacional” como parte do delineamento do Sobrevivencialista Lúcido pois as mentalidades evoluíram e tal influencia muitas das nossas decisões.

Já vimos o exemplo sobre mochilas de fuga e de como as de aspecto militar ou com cores vivas eram más opções. Se as coisas ficarem tão más que dependa de uma mochila para sobreviver, quer que esta passe despercebida de modo a não atrair atacantes e a conseguir escondê-la quando necessário.

Por outro lado, existem muitos exemplos nos quais a união faz a força. Mesmo que ignoremos o aspecto positivo altruísta do “ama o teu vizinho” da prontidão e pensarmos de modo estritamente egoísta (o que está OK!), irá beneficiar mais em acrescentar mais pessoas ao seu círculo mais restrito.

Por exemplo, os seus vizinhos provavelmente viram-no a a levar e a trazer do carro o saco da arma quando ia e vinha da carreira de tiro. Vêem os painéis solares no seu tecto e a horta no seu jardim. Ao falar consigo acerca de coisas corriqueiras ou coisas como política, devem reparar que é uma pessoa ponderada que compreende o estado do mundo e que “sabe o que está a fazer.”

Por isso quando a MBNV, provavelmente vão bater-lhe à porta mesmo que não façam a mínima ideia de que tem um bunker na cave com 10 anos de mantimentos.

Pode aprimorar as suas preparações ao reduzir a probabilidade de outras pessoas em seu redor lhe arruinarem os planos ou lhe levarem os mantimentos. Ou podem apoiar-se mutuamente caso se danifique uma das suas coisas.

Os benefícios de encorajar aqueles em seu redor a prepararem-se são muito superiores ao risco de estes o explorarem numa situação de crise porque lhes falou acerca da prontidão.

Os dados batem (quase) sempre as opiniões

Isto pode parecer-nos óbvio, mas é certo que não abunda na multidão sobrevivencialista tradicional.

Há uma razão pela qual as mesmas perguntas e debates estão sempre e sempre a aparecer, e pela qual aparecem 3,8 milhões de resultados para “melhor mochila de fuga” no Google.

À medida que o sobrevivencialismo se tornou popular e as pessoas lançaram os seus blogues e canais pessoais no YouTube, a maior parte eram conselhos pessoais. “Eis o que guardo na minha mochila, e que também deviam ter!” O que é uma bela maneira de começar, mas que criou tanto ruído de fundo que acabamos pura e simplesmente por não saber qual a resposta correcta.

Já vimos bloggers populares a sugerir coisas como sopa enlatada para a mochila de fuga. O que é uma ideia muito, muito má. Mas as pessoas lêem, assumem que está certo, e passam à frente.

O The Prepared foi fundado com base no valor de que fazemos recomendações com base nas melhores investigações, dados, experiência e conselhos o mais especializados possível. Algumas pessoas dizem que somos obcecados, mas só queremos encontrar as repostas mais correctas e partilhá-las convosco.

Seja aqui ou web fora, mantenha o seu chapéu de cientista e questione aquilo que ler. Incluindo nós! Se discorda, duvida, ou julga que não reparamos em alguma coisa, estamos sempre dispostos a ouvi-lo.

O sobrevivencialismo não deve dominar a sua vida nem a piorar

A comunidade sobrevivencialista é apaixonada e muito activa, parte pela qual é tão divertida. 

Mas há um problema recorrente com a dita paixão – por vezes as pessoas ficam tão imersas na prontidão que esta pode tomar conta da sua vida e do seu dinheiro, ou deixam que o medo cresça de tal forma que deixam de apreciar a vida que têm actualmente.

Há um equilíbrio entre desfrutar a vida hoje e preparar-se para quando as coisas correrem mal.

Uma vez perguntaram-nos, “ao prepararem-se, não estão a admitir a derrota numa altura em que mais precisamos que as pessoas se envolvam e resolvam estes problemas antes que aconteçam?” É uma bela questão, mas o sobrevivencialismo e a resolução de problemas não se excluem mutuamente.

Espere o melhor, prepare-se para o pior. Ainda devemos fazer o que pudermos para tornar o mundo melhor, mas equilibrar essa hipótese com um plano de retaguarda não é ser hipócrita. É ser esperto.

Despenda uma quantidade razoável de tempo, dinheiro e energia na prontidão. The Prepared tenta ajudá-lo ao publicar menos artigos, mas com um maior impacto. Não se trata do tipo de blogue de spam que encontra noutros lados. Os nossos artigos são 10 vezes mais extensos que o post habitual de um blogue, mas a longo prazo terá bastante tempo para o ler.

Não sabe porque devia preparar-se?

Eis uma lista das principais razões pelas quais toda todas as pessoas se deviam preparar [link para a versão portuguesa traduzida pela P&S - NDT] e as provas que as sustentam.

Pronto a começar?

Consulte o nosso guia 101 para principiantes no sobrevivencialismo.

Pode enviar-nos o seu feedback para editor@theprepared.com [sugerimos que o faça em língua inglesa – NDT]

Tradução: Flávio Gonçalves

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